Psicologia aplicada às lesões 

A lesão é um fator negativo que pode ocorrer a qualquer momento para o atleta que pratica qualquer modalidade desportiva. Alguns esportes, que por sua regulamentação permitem jogadas mais ríspidas e violentas, apresentam maior risco de lesões do que outros desportos cuja dinâmica é mais suave. A habilidade que um atleta tem de resistir às lesões e de recuperar-se bem quando elas ocorrem é, segundo Heil (1993) fundamental para a sua longevidade no esporte e para a realização plena do seu potencial. Um dos aspectos que tem causado preocupação à equipe médica que atua no esporte é o crescimento atual do número de lesões entre os atletas (Meeuwisse & Fowler, 1988). De acordo com Heil !993), anualmente, ocorrem cerca de 17 milhões de lesões entre atletas americanos. Aproximadamente 5 milhões de corredores apresentam lesões nas extremidades inferiores a cada ano e 50% dos jogadores de futebol americano sofrem uma lesão severa. Em esportes mais leves, como a natação, ocorrem 1.000 lesões de coluna ao ano. Se de um lado essas lesões podem ser causadas por fatores físicos como carga de treinamento, fadiga, ações mal executadas e acidentes, por outro, tem sido enfatizado também que o fator psicológico pode determinar uma predisposição do atleta para esse transtorno. Pelo efeito devastador que pode ter uma lesão na vida do atleta, é importante melhorar o conhecimento da variáveis psicológicas que interferem na lesão e as alternativas que a psicologia oferece para auxiliar na prevenção e reabilitação das mesmas. 
Reações emocionais do atleta lesionado 
Os investigadores referem que a ocorrência de uma lesão física num atleta pode levar ao aparecimento de ansiedade, depressão e prejuizos na sua auto-estima, chegando mesmo a proporções clínicas significativas (Crossman , 1985; Eldridge, 1983; Wiese & Weiss, 1987). Dessa forma é importante identificar as mudanças emocionais que estão associadas às lesões do esporte. 
Weiss & Troxell (1986) parecem ter sido os primeiros investigadores a estudar as reações emocionais dos atletas frente as lesões. Numa abordagem qualitativa, ele entrevistou 10 atletas de elite (3 homens e 7 mulheres), verificando como eles lidavam com as suas lesões. Os atletas referiram, medo, tensão, fadiga, incredulidade, depressão e queixas somáticas (enjoo, perda do apetite, insonia e etc.). Os autores também verificaram que os atletas expressaram sua incapacidade de conviver com o período longo de reabilitação, a restrição da atividade e a sensação de ser dominado pela lesão. 
Alguns estudos avaliaram as emoções e auto-percepções de atletas lesionados. Chan e Grossman (1988), por exemplo, verificaram que corredores lesionados, nos pés ou pernas, apresentavam mais ansiedade, depressão, confusão e baixa auto-estima do que corredores não lesionados. Smith e colegas (1990), investigaram a presença, tipo, magnitude e duração das emoções, de 72 atletas de recreação, desde a ocorrência das lesões até a reabilitação e retorno dos mesmos à competição. Logo após as lesões os atletas mostravam elevados níveis de frustação, depressão e raiva. 

Esses sentimentos permaneceram imutáveis até durante um mês para o atleta que se lesionou mais severamente. Pearson & Jones verificaram o impacto das lesões sobre sobre a área emocional do atleta comparando 61 atletas lesionados com 61 não lesionados. Os lesionados mostraram maior depressão, tensão, agressividade, confusão e fadiga do que os não lesionados. Smith e colegas (1993) examinou o impacto da lesão sobre o humor e a auto-estima, comparando atletas lesionados com não lesionados e verificou um aumento de raiva e depressão, como redução do vigor e da auto-estima nos sujeitos lesionados. Leddy, Lambert & Ogles (1994) estudando a reação emocional de 343 atletas universitários do sexo masculino, de 10 esportes diferentes, antes e após uma lesão, verificaram a ocorrência de aumento da ansiedade e depressão, bem como redução da auto-estima, e referem que em alguns atletas as reações emocionais alcançavam níveis de intensidade similares a pacientes de psicoterapia não internados. 
Apoio psicológico ao atleta lesionado 
Para iniciar uma abordagem de apoio psicológico ao atleta lesionado, é necessario compreender os desafios, pressões e perigos que compoem o mundo do atleta.Como uma grande parte das investigações referem que os atletas lesionados apresentam aumento nos níveis de ansiedade, depressão, raiva, tensão e uma redução da auto-estima, começam a ser desenvolvidos intervenções de ajuda psicológica aos atletas lesionados (Heil, 1993; Pargman, 1993; Rotella & Heyman, 1986). Na verdade o que o médico e o fisioterapeuta devem aceitar é de que deve ser feito uma combinação de tratamento para manejar os aspectos físicos e psicológicos de uma lesão (Eldridge, 1983; Heil, 1993; Nideffer, 1983; Rotella & Heyman, 1986; Weiss & Troxel, 1986; Wiese-Bjornstal & Smith, 1993). A maioria dos atletas que apresentam transtornos psicológicos, quando se lesionam, tem uma reabilitação demorada (Heil, 1993). Outros até se recuperam bem da lesão mas seu nível de rendimento esportivo jamais atinge o mesmo nível que apresentava antes da lesão (Heil, 1993).